Comunicação Visual: O Ramo Onde Perfeccionistas Não Ganham Dinheiro
O perfeccionismo parece uma virtude, mas pode ser o maior freio para quem quer crescer na Comunicação Visual. Descubra por que fazer e melhorar vale mais do que esperar pela perfeição.

"Ainda não vendi nenhum porque ainda não cheguei no acabamento que eu quero."
Essa é uma das frases que mais ouvi ao longo dos meus mais de 20 anos trabalhando com Comunicação Visual.
E toda vez que escuto isso, penso a mesma coisa:
O problema não é a qualidade.
O problema é o perfeccionismo.
Embora pareça uma virtude inquestionável, o perfeccionismo pode ser um dos maiores obstáculos para quem deseja crescer neste mercado.
E por que chamo isso de obstáculo e não de qualidade?
Porque o perfeccionismo puxa o freio de mão.
Ele anda de mãos dadas com pensamentos como:
- "Ainda não está bom o suficiente."
- "Vou esperar melhorar minha técnica."
- "Preciso acertar mais antes de vender."
- "Ainda não estou preparado."
Enquanto isso, os boletos continuam chegando.
O curioso é que praticamente todos os produtos de Comunicação Visual possuem algum nível de trabalho manual.
E tudo o que é feito à mão carrega pequenas variações.
Pequenas imperfeições.
Pequenos detalhes que somente o próprio fabricante costuma enxergar.
Mas o perfeccionista não apenas enxerga esses detalhes.
Ele amplia.
Analisa.
Julga.
E muitas vezes desiste antes mesmo de mostrar o trabalho para alguém.
Meu conselho?
Saia pelas ruas.
Observe fachadas.
Totens.
Letreiros.
Painéis.
Olhe principalmente para as grandes redes e grandes empresas.
Quanto maior a marca, maiores são as chances de ela ser atendida por empresas experientes de Comunicação Visual.
E mesmo assim você encontrará desalinhamentos, emendas, diferenças de acabamento e inúmeros detalhes que passariam longe da definição de perfeição.
Sabe por quê?
Porque a perfeição não existe.
Ela muda de acordo com quem está olhando.
O cliente quer um resultado bonito.
Funcional.
Que resolva seu problema.
Na maioria das vezes, ele não está procurando a obra-prima que você imagina que precisa entregar.
Por isso, meu conselho é simples:
Comece.
Faça.
Venda.
Aprenda.
Melhore.
Repita.
A experiência adquirida em dez trabalhos entregues vale mais do que cem projetos perfeitos que nunca saíram da bancada.
Afinal, cada profissional desenvolve sua própria técnica.
E a excelência não nasce da perfeição.
Ela nasce da repetição.